segunda-feira, junho 15

Ama-dor(a) '


Estou cansada de negar o meu querer, viver apartada de mim; e dos meus impulsos. Cansada do meu bom senso, da minha covardia prévia, de tudo o que me faz menos. Minha saudade é do que não foi e do que virá. Da tempestade ingênua que eu vivi naquele carnaval. E foi bom, pleno. De erros e de acertos. Fui incongruente, inconseqüente...e isso me fez bem! Ganhei por um certo tempo. Depois eu tive que aprender a viver sem ele. Eu aprendi a viver sem tantos outros que passaram em minha vida. E me aniquilaram e me cortaram ao meio. Tive que conviver com todo tipo de dor que a gente aprende a conviver com o tempo. A dor de ser triste, e a de ser alegre. Dor. Essa palavra é a minha puta mais santa porque eu durmo com ela todas as noites, e pago o preço caro da minha solidão. Eu e a minha ilha. Meus gestos pensados. Aquela vontade louca de chegar até você, com a cara mais lavada do mundo, e dizer: ' eu vou te arrancar um beijo '. Pedir autorização pra violência. Pra daí a pouco, meses após, saber que nada foi de verdade. Eu vivo a crise da possibilidade. Sou matemática dos sentimentos e calculo em decimais as nossas covardias. Eu me destituo da promessa de acertar. Isso porque foi o tempo mais belo do meu amor por alguém. O outro foi desajuste. O outro? Inverdade Querer no querer. Me corta, me assina. Você me ensina.